Arequipa
Arequipa é uma cidade grande, sentei em um banco da Plaza del Armas... Do meu lado direito a igreja que ocupa todo um lado do quadrado da Plaza, com suas paredes de pedras vulcânicas brancas, inteirinha talhada misturando condors com anjos; pumas com cordeiros e serpentes com Marias. Criollo. Na cidade parece haver uma grande competição entre as casas coloniais sobre qual teria mais detalhes, qual seria a mais bonita. E o meu voto vai para o Monastério de Santa Catalina. Um mosteiro. Uma pequena cidade dentro de Arequipa. Em 1580, 150 mulheres viviam isoladas do mundo com seus 340 empregados. Caminhando entre as ruas do mosteiro, suas construções ora me lembram a Grécia ora o Marrocos, lugares imaginários que eu nunca visitei... E de repente no fundo da vermelha rua Toledo surge a cúpula branca e simples da igreja do convento. Perfeita. O céu azul ao fundo não oferecia nenhuma nuvem para contrastar.
Mas voltando ao banco onde eu me encontrava.... Ao fundo da igreja se encontra o El Misti, um vulcão com neve eterna e ainda em funcionamento. Ele é lindo, imponente, parece ser a terceira e maior torre da Catedral da cidade. Do lado esquerdo o movimento dos pedestres é constante. Aqui não há turistas, e eles parecem nem perceber a minha ausência de traços indígenas. Entre as arcadas coloniais vejo meninos com baldes e mais baldes de bexigas d’ água. Estamos em plena guerra civil, eu sei disso, mas continuo sentada, imóvel. Numa cidade de vulcões e terremotos, uma guerra civil não parecia ser muito grave. A minha frente uma enorme fonte de água verde clorificada com pequenas purpurinas de reflexos do sol. A praça é inteira decorada com plantas nativas dessa cidade que chamam de "oásis branco do deserto" e foi exatamente quando eu perdi meu olhar num enorme pássaro sobre a palmeira que eu fui atingida :
BUM
Ainda tive tempo de ver o menino de vermelho correndo e minha camiseta azul tinha uma enorme mancha mais escura.... Poderia continuar impassível? Não; não agora que eu tinha sido atingida. O ataque tinha sido um convite, agora eu tinha que optar, ou eu me colocava a favor ou contra os guerrilheiros. E talvez por lembrar todos os perigos que cercavam a cidade, talvez tenha sido apenas raiva te ter sido atingida, eu que ate então me julgava transparente naquele banco de praça, peguei minha arma e sai correndo atrás da camiseta vermelha que já estava pingando. Ao ver os cabelos completamente secos, decidi meu alvo. E a corrida não durou mais que alguns segundos, meu alvo tinha sido atingido, eu estava vingada. Do outro lado da praça guerrilheiros riam, aquele riso de doer a barriga... definitivamente teria adorado viver mais carnavais no Peru.
Mas voltando ao banco onde eu me encontrava.... Ao fundo da igreja se encontra o El Misti, um vulcão com neve eterna e ainda em funcionamento. Ele é lindo, imponente, parece ser a terceira e maior torre da Catedral da cidade. Do lado esquerdo o movimento dos pedestres é constante. Aqui não há turistas, e eles parecem nem perceber a minha ausência de traços indígenas. Entre as arcadas coloniais vejo meninos com baldes e mais baldes de bexigas d’ água. Estamos em plena guerra civil, eu sei disso, mas continuo sentada, imóvel. Numa cidade de vulcões e terremotos, uma guerra civil não parecia ser muito grave. A minha frente uma enorme fonte de água verde clorificada com pequenas purpurinas de reflexos do sol. A praça é inteira decorada com plantas nativas dessa cidade que chamam de "oásis branco do deserto" e foi exatamente quando eu perdi meu olhar num enorme pássaro sobre a palmeira que eu fui atingida :
BUM
Ainda tive tempo de ver o menino de vermelho correndo e minha camiseta azul tinha uma enorme mancha mais escura.... Poderia continuar impassível? Não; não agora que eu tinha sido atingida. O ataque tinha sido um convite, agora eu tinha que optar, ou eu me colocava a favor ou contra os guerrilheiros. E talvez por lembrar todos os perigos que cercavam a cidade, talvez tenha sido apenas raiva te ter sido atingida, eu que ate então me julgava transparente naquele banco de praça, peguei minha arma e sai correndo atrás da camiseta vermelha que já estava pingando. Ao ver os cabelos completamente secos, decidi meu alvo. E a corrida não durou mais que alguns segundos, meu alvo tinha sido atingido, eu estava vingada. Do outro lado da praça guerrilheiros riam, aquele riso de doer a barriga... definitivamente teria adorado viver mais carnavais no Peru.
