Ruas cegas sem saída de nuvem trêmula

quinta-feira, agosto 03, 2006

ausência

Sua ausência está dentro de mim como uma coisa real. Ausência deixa de ser ausência quando passa a ser alguma coisa. Que coisa? Mentira. Isso é mentira. A ausência é insuportável, é a falta de algo que deveria estar e não está. Será que deveria mesmo....?
Nada é tão rígido, nem o tempo. A não ser que a gente queira assim. Às vezes o tempo não é o suficiente, ou pelo menos não parece, mas um segundo é sempre melhor que um lapso de pausa no tempo do mundo.
“Mudos, estamos sentados um ao lado do outro, pensando... pensamentos que nunca conhecem o pensamento do outro.” O’Nell
Não quero isso, mas ao mesmo tempo quero tanta coisa que talvez passe por esse caminho. Caminhar por lugares que não se deseja para se chegar ao tão desejado lugar. Nem sempre o caminho e as paisagens são agradáveis. Mas será que pelo menos o lugar desejado existe? Você pode me afirmar isso? É só isso que eu preciso saber, tendo essa certeza caminho por qualquer lugar. E essa é a única certeza que eu nunca vou ter.
Odeio monólogos, odeio falar sozinha.....

O cinza grita por suas cores

Andando pela cidade cinza, sua ausência se torna inevitável a cada esquina. O seu “sem cor” parece tornar-se ainda mais opaco com a memória do colorido que dávamos ao andarmos lado a lado. Só você pode tornar isso um filme colorido, uma película multicolor, só você pode dar a graça que busco a cada esquina. E a cidade grita por você, porque eu, que via encantos em todos os lugares por que passava, agora pareço ver sempre a ausência, o silêncio. O que não está, me cega de tudo aquilo que eu poderia ver. Não vejo nada, a cabeça longe, flanando com você em universos paralelos, em mundos que eu costumava habitar sozinha e agora de mãos dadas eles são tão melhores....
Minha rotina volta pouco a pouco a ocupar suas prateleiras e você.... você não está.
Os únicos amigos que busquei desde a minha volta foram aqueles em comum, aqueles que eu sei que dividem comigo a sensação tão presente da sua ausência. E nos encontro temos as risadas que já foram mais inteiras, as reticências que perguntam por você em silêncio. Mas não se preocupe, nem só de silêncios vive sua memória por aqui, e sem perceber, são nos momentos em que você se torna assunto e não só pensamento, que me torno mais presente, posso então ser inteira (eu e sua ausência).
Bons amigos esses nossos em comum. Muito bons amigos.