Ruas cegas sem saída de nuvem trêmula

domingo, novembro 12, 2006

As coisas

As coisas ficam muito boas quando a gente esquece.

sábado, novembro 11, 2006

Eu ainda me surpreendo.

De vez em quando. Muito de vez em quando. Mas me surpreendo. Eu juro.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Miojo

Escolheu o miojo. Galinha caipira. Tentava esquecer do nojo que sentia por estar tão sozinha. E repetia mentalmente que a culpa era totalmente dela. Escolha. Enquanto falava em voz bastante audível que tinha sido abandonada. Quem tem cachorro aprende cedo a falar sozinho. As paredes já cansadas de escutar, pálidas, impávidas. Nem ameaçar, ameaçavam. Coitadas. Escorriam o tédio para o andar de baixo. Infiltração.
O zelador já havia reclamado uma dezena de vezes.
3 minutos. Quem disse que ela queria que tudo fosse assim tão rápido?
Aos poucos ela foi esquecendo a textura do lençol, deixou de tomar aquele suco, e até hoje sem saber muito bem porque evita marlboro vermelho. Acho que de alguma forma eles lembram que tem coisas que não devem ser esquecidas.

Nunca

Nunca mais pergunto se você pode falar. Nunca mais retiro o papel da sua mão. Nunca mais falo sobre os meus restaurantes. Nunca mais pergunto se ela esta bem. Nunca mais finjo que não me importo. Nunca mais te dou uma foto que eu goste tanto. Nunca mais te devolvo aquela blusa. Nunca mais escuto aquela musica. Nunca mais batida de morango com leite. Nunca mais broinha de milho quentinha. Nunca mais cigarro na chuva, camiseta pendurada feito quadro. Nunca mais cheiro de carta, planos na Ásia. Nunca mais política depois das duas, Bauman antes do café. Mas a ironia, essa não. Essa você não me tira.

Matemática

Porque um mais um não é igual a dois. Nunca foi. Eu sou eu, você é você. Nós dois um; não dá. Nunca deu.