quinta-feira, julho 20, 2006

A Trilha

Sobrevivi! Essa palavra se torna inevitável ao olhar para trás, depois de tudo o que eu vivi nesses 4 dias. Só quatro dias! Sinto todos os músculos do meu corpo, agora um pouco menos, confesso, depois dos banhos termais que se tornaram extremamente necessários! A verdade é que a trilha foi muito mais difícil do que imaginamos, os Andes não são montanhas acolhedoras quando se está dentro deles. Mas foi sem dúvida alguma uma das melhores coisas que eu fiz na vida, andávamos horas a fio, todas as vistas eram de tirar o pouco fôlego que nos restava, e não havia filme suficiente para registrar tudo. O grupo era excelente, a comida nos surpreendia a cada dia, tivemos um café da manhã com 7 pratos diferentes (panquecas, omelete, mingau, frutas com yogurt...), e teve também seus momentos bem excêntricos, como sashimi de frango, strogonoff de batata, gelatina quente de abacaxi.... e outras surpresas preparadas pelo nosso digníssimo chef!
Éramos acordadas todos os dias, antes do sol nascer com um chá de coca quentinho para quebrar a camada de gelo que se formava em nosso slepping durante as noites andinas. E por falar em intempéries andinas, nunca se entende.... Um amigo nosso disse que teve muita sorte com o tempo, pq choveu muito nos três dias da trilha mas em Machu Pichu ele SÓ teve garoa. E nós tivemos SOL! SOL! Ainda não acredito tivemos 4 dias de sol, pudemos ver todas as vistas incríveis que normalmente estão cobertas pela nevoa. Até pegamos uma cor de turista, marcas de top´s, leggings, e regatas estão pelo nosso corpo todo, além de alguns arranhões, hematomas, e picadas. E no caso da Marina bolhas, muitas bolhas. Estamos andando pela cidade como se nossas feridas fossem os troféus da nossa conquista, apesar de muitas vezes termos duvidado da nossa possível vitória!
O momento mais incrível foi também o mais esperado, que só de lembrar meu coração bate mais rápido. Acordamos as três da manhã com o céu ainda completamente iluminado pelas infinitas estrelas e começamos a caminhar rumo ao Intipunko. Andamos por duas horas, vimos o sol nascer, o coração acelerado e a gente tentando sobreviver até o momento tão aguardado, a ansiedade correndo na frente, entre escadas, mata fechada, pedras e ruínas incas. De repente ela surge, pequenininha, perfeita, lá no fundo, a cidade que os Inkas tentaram com tanto esforço esconder, e a legião de turistas que caminharam km's para esse momento estavam ali, adorando a cidade sagrada. O tempo passou em um flash. Não sei o espaço de tempo que separou a caída do meu queixo para o olhar que eu troquei com a Marina e que como um espelho revelou meu sorriso idiota, meu olhar abobado, o coração na boca.
A euforia deve ter durado algumas horas, só muito tempo depois eu fui lembrar de todas as dores.....

1 Comments:

Blogger M. said...

Bolhas da Marina - reais.
Sorriso idiota da Marina - real.
Machu Picchu - fucking real!!! Obrigada, cariño!

10:48 AM  

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