quinta-feira, dezembro 21, 2006

A imagem que ninguém viu

O dia estava feio, nublado. O vento trazia a areia das dunas cada vez mais para perto numa dança quase transparente. Havia uma cadeira de praia já velha com pequenas listras alternadas. Vermelho, azul e branco. Um monza antigo, azul marinho, ocupava uma vaga imaginária de 45 graus e tinha o porta-malas aberto onde se podia ver um pequeno livro deitado sobre uma toalha verde clara com um pequeno furo, pelo nome do autor era um romance russo. Rico em detalhes. Uma garrafa de água continha um suco de uma cor rosa muito bonita. O som do carro estava ligado e ouvia-se uma balada dessas estrangeiras bem antigas, cantada por algum senhor bastante elegante e com muito gel no cabelo. O mar quase parou para ouvir o piano que soava leve. As gaivotas já cansadas de voar boiavam satisfeitas, hoje a praia era delas. A porta da frente aberta revelava um belo chapéu de palha tranquilamente sentado. Ele fazia silêncio. As nuvens em sua unidade cinza não precisavam nem se mexer. A dona do chapéu havia abandonado o cenário havia alguns dias. Ela nunca gostou de literatura russa.